Jequié - BA
 

Craques

Geraldo
A esmagadora maioria dos mais de 40 milhões de torcedores do Flamengo não sabe quem foi Geraldo Cleofas Dias Alves. Se pelo nome completo fica mais difícil, dizendo apenas Geraldo não facilita muito. Tanto que não há muitos registros sobre ele na Internet. Mas a história poderia ser bem diferente se Geraldo não tivesse morrido de parada cardíaca durante uma cirurgia de extração de amídalas no dia 26 de agosto de 1976, quando tinha apenas 22 anos.Geraldo era um jogador driblador, que tinha um futebol que podemos chamar de moleque e um controle de bola como jamais vi em outro. De tão alegre, sempre assoviando pelos cantos, ganhou o apelido de assoviador.Chegou ao Flamengo vindo da cidade de Barão dos Cocais, interior de Minas Gerais, e conheceu Zico na categoria juvenil. Não demorou muito para que os dois se tornassem grandes amigos e companheiros nas baladas, nos tempos em que o Galinho era solteiro. Dentro de campo, o entendimento dos dois também era total. As tabelas saiam com facilidade e os gols eram conseqüência desse entrosamento.No início da década de 70 já se dizia que, nas divisões de base do Flamengo havia dois grandes talentos promissores: Zico e Geraldo. Mas, enquanto o Galinho seguiu por uma estrada, Geraldo descuidou da saúde e se perdeu por algumas curvas no caminho. Em 1972, Zico era titular na conquista do Estadual, mas seu companheiro por seu comportamento descomprometido não vingava.Em 1973 a situação melhorou. Geraldo passou a entrar no time em alguns jogos e participou de 18 partidas na temporada. Talento havia de sobra, mas ainda faltava regularidade. Em 1974 ele já jogava como titular disputou ao todo 59 jogos com o Manto Rubro-Negro. O ano começou bem para ele, que marcou seu primeiro gol como profissional logo no dia 30 de janeiro, num jogo em que o Flamengo venceu o Vila Nova, de Goiás (4 x 0). O primeiro no Maracanã ocorreu no amistoso em que o Flamengo GOLEOU O Corinthians por 5 a 1. Mas Geraldo faria apenas outros dois gols naquele ano em que conquistaria dessa vez jogando seu segundo e último título Estadual pelo Rubro-Negro.A capacidade técnica de Geraldo já era reconhecida além das fronteiras da Gávea e, em 1975, ele acabou sendo convocado pelo técnico Oswaldo Brandão para integrar a Seleção Brasileira que disputou a Copa América. Atuou como titular nos dois jogos contra o Peru. Pelo Flamengo, jogou 62 vezes e marcou 7 gols naquele ano.

Arthur Antunes Coimbra - Zico

A história de Zico se confunde com a própria história do Flamengo. Além de ter sido o maior artilheiro da história do clube, e seu maior craque, Zico liderou o time nas suas maiores conquistas. Foram quatro campeonatos brasileiros, uma Taça Libertadores da América e um Campeonato Mundial Interclubes.Zico nasceu em Quintino, subúrbio do Rio de Janeiro, e começou sua carreira no Flamengo aos 14 anos de idade, levado pelo radialista Celso Garcia, amigo de sua família. Sua estréia como profissional aconteceu em 1971, mas apenas em 1974 firmou-se como titular e dono da camisa 10 do clube.Zico marcou pelo Flamengo 568 gols. Em 1983, deixou o clube para jogar na Itália, na fraca equipe da Udinese. Em 1985, entretanto, voltou para o Flamengo, para conquistar mais um campeonato carioca e o título nacional de 1987.Sua despedida aconteceu em 1989, contra o Fluminense, no Estádio Municipal de Juiz de Fora. O Flamengo venceu por 5X0, com um show do Galinho de Quintino.


Edvaldo Alves Santa Rosa - Dida

Dida, ou melhor, Edvaldo Alves Santa Rosa, foi descoberto em Maceió, quando a delegação de vôlei do Flamengo assistia a um jogo entre as seleções de futebol de Alagoas e da Paraíba. Os cariocas ficaram impressionados com um jogador da equipe alagoana que marcou três gols na partida e, depois de um tempo, um representante do time da Gávea foi até o Nordeste trazer o jovem talento para o Rio. Dida jogou a primeira vez no profissional do time rubro-negro graças às contusões de Evaristo e Benitez num jogo contra o Vasco. O Flamengo venceu por 2X1, mas Dida acabou retornando para o time de aspirantes. Só em 55 ele viria a se firmar definitivamente como titular, substituindo Evaristo mais uma vez. Na final do campeonato daquele ano, o Flamengo venceu por 4x1, conquistando o bi-campeonato. O jovem alagoano marcou três gols da partida. Dida foi o segundo maior artilheiro do clube, com 244 gols, só superados por Zico. Ele deixou o Flamengo em 1963, quando foi vendido para a Portuguesa (SP).


Domingos da Guia

Domingos da Guia, considerado o melhor zagueiro brasileiro de todos os tempos, estreou na Seleção Brasileira aos 18 anos. No início de sua carreira, jogou no Nacional, do Uruguai, e no Boca Juniors, da Argentina. Só em 1937, o grande zagueiro veio para o Flamengo onde viveu os melhores momentos de sua carreira, atuando do lado de grandes jogadores como Leônidas da Silva. Em 38, na Copa da França, foi um dos responsáveis pela conquista do terceiro lugar, melhor colocação brasileira em copas até aquele momento. Domingos da Guia saiu do Flamengo em 44, vendido para o Corinthians.


Leônidas da Silva

Leônidas da Silva, o inventor da "bicicleta", foi um dos maiores atacantes brasileiros. Ele começou a jogar no Flamengo em 1936, transferido do Botafogo, porque os dirigentes do clube não queriam um negro no time, mesmo sendo Leônidas um grande jogador. Com uma brilhante atuação na Copa de 38, incluindo a artilharia, Leônidas ficou conhecido como "Diamante Negro". O inventor da bicicleta também chegou a ser conhecido por "homem-borracha" por causa da sua habilidade e agilidade nos dribles e jogadas. Leônidas jogou no Flamengo até 42 e depois foi para o São Paulo, onde ficou até o final de sua carreira.


Zizinho

Zizinho, ou Mestre Ziza, nunca seria jogador de futebol caso dependesse do seu físico. Franzino, ele chegou a ser recusado pelo time do América e acabou jogando um tempo no São Cristóvão antes de chegar ao Flamengo. A grande chance de Zizinho veio com a contusão de Leônidas; o técnico Flávio Costa deu a ele dez minutos para que mostrasse o que sabia. Em pouco tempo, Mestre Ziza convenceu o técnico e acertou com o Flamengo, estreando contra o Independiente, da Argentina. Zizinho tinha garra e habilidade, o que o fez conquistar um grande número de fãs, entre eles, Pelé. Pouco antes da Copa de 50, o ídolo rubro-negro foi vendido para o Bangu e, mesmo perdendo a final para o Uruguai, foi eleito o melhor jogador da Copa. Assim os ingleses que viram Mestre Ziza jogar o definiram: "Não se trata apenas de um craque. Este é um gênio, um homem que possui todas as qualidades que podem ser idealizadas para um profissional chegar mais perto da perfeição."


Junior

Leovegildo Lins Gama Júnior, o famoso Júnior, foi um dos grandes craques do Flamengo, clube onde começou sua carreira. Ele ficou no time até 85, quando foi vendido para o Pescara, na Itália, e, depois, para o Torino, no mesmo país. Em 89, já com 35 anos, o craque voltou para a Gávea e venceu o campeonato estadual liderando uma equipe jovem e pouco experiente. Foi dele também grande parte da responsabilidade pelo quinto título brasileiro (1992) do time rubro-negro, o primeiro sem a participação de Zico. No mesmo ano, Júnior completou a incrível marca de 800 jogos defendendo a camisa do Flamengo, número que dificilmente será ultrapassado. O "Vovô", como ficou conhecido na segunda fase em que esteve no time rubro-negro, viveu muitos dias de glória no clube, sendo campeão estadual várias vezes, quatro vezes campeão brasileiro, campeão da Libertadores e do Mundial Interclubes. Júnior foi admirado pelos rubro-negros até os últimos dias em que atuou como jogador, mas foi bastante criticado em 96 quando voltou à Gávea para treinar o time.